Precariedade laboral vs Demografia

Artigo de Opinião 22.01.2021

Falar de precariedade laboral, não é fácil, é um tema controverso e visto de formas diferentes por cada um de nós, pois cada um tem a sua visão do presente e do futuro. Do meu ponto de vista a precariedade atrasa a vida de muitas pessoas, principalmente dos que integram agora o mercado de trabalho, os mais jovens, mas também daqueles que por impossibilidade de arranjar outra forma de trabalhar se têm arrastado pelo trabalho precário e não têm esperança que no futuro possam vir a conhecer outra realidade que não esta.

Se por um lado esta situação não é benéfica para o bem-estar das pessoas, por outro, para as empresas, estas pessoas muitas vezes representam instabilidade, pela frequência com que mudam de profissão. No entanto, na maioria dos casos, esta situação ocorre por necessidade e não por opção.

Como podemos definir precariedade laboral? Podemos dizer que a precariedade laboral é composta por um conjunto de fatores que provocam instabilidade emocional, financeira e insegurança. Se pensarmos que atualmente uma grande parte dos contratos de trabalho são a termo e alguns casos são de muito curta duração, constatamos que as pessoas não têm como planear o amanhã.

Grande parte dos números relativos à precariedade deve-se aos recibos verdes e ao trabalho temporário. Estes vínculos contratuais, por serem curtos, mesmo que possam ser renovados diversas vezes, podem também ser descartados com muita facilidade. Isto para não falar nas diferenças salariais entre os colaboradores das organizações e os subcontratados, para a mesma função, os últimos auferem sempre uma remuneração mais baixa e por vezes as diferenças são altíssimas. Esta situação é injusta e precária, contribui para que as pessoas tenham dificuldades para sobreviver no seu dia-a-dia e não se sintam motivadas para planear o seu futuro.

Devido a esta instabilidade, nem sempre a formação é a mais adequada e a relação com o trabalho também não evolui de forma sólida e progressiva e proativa, pois hoje as pessoas estão a trabalhar num local a desempenhar uma função e amanhã poderão estar noutro local e noutra função. Surgem assim problemas ao nível da segurança e saúde no trabalho que se refletem inevitavelmente na sua vida particular. Muitas vezes a subcontratação está associada a tarefas de alto risco, pois desta forma a empresa que subcontrata reduz custos de forma muito significativa.

Está na altura de fazermos algo para mudar este cenário! A precariedade Laboral não traz consequências benéficas para as organizações, nem para os seus colaboradores, quer a nível económico, social ou mesmo demográfico. Sim, demográfico: a casa que queremos comprar, a viagem que queremos fazer, os filhos que queremos ter, ficam sempre para segundo plano, devido à instabilidade financeira. Os jovens saem mais tarde da casa dos pais e optam por ter filhos mais tarde, e em menor número, ou seja, a natalidade no nosso país tem vindo a decrescer de ano para ano, não é por acaso que a população do nosso país está cada vez mais envelhecida. Aparentemente dois assuntos que não estariam relacionados, estão e muito, pois a baixa natalidade é consequência da precariedade laboral. Ainda pensa que não há nada a mudar?